culpa

Pine – A culpa, a sombra e a evolução – o trabalho transcendente.

Reconhecer a responsabilidade pelo nosso destino, enfrentando a culpa, é o passo imprescindível para a verdadeira cura.

O que nos oprime é o que teimamos reprimir. Parece-nos lógico que o conhecimento inconsciente da culpa é que cria o medo de enfrentá-la. A pressão se desfaz a medida que nos predispomos a encará-la sem dúvida.

A repressão da culpa nos adoece sim, pois nos distancia da realidade.

Sem erro, indiscutivelmente não há evolução.  A culpa deve ser apenas parte do aprendizado passado. Fazemos do sofrimento proveniente da autoacusação o caminho para a evolução. Sofrer é evoluir. Pecadores devem sofrer para se libertar dos débitos existentes devidos aos nossos sistemas de crenças ainda extremamente egoticos. Toda culpa deve ser resgatada e reparada.

sombrasNão percebemos que evoluir é transformar as sombras e não se condenar ao sofrimento eterno.  A perfeição é apenas o resultado e não o meio para a evolução. A culpa nos lança na rigidez de padrões perfeccionistas. Gastamos energia mantendo nosso sofrimento, pois o orgulho prefere pagar o preço de continuar crendo que só o sofrimento liberta e não o enfrentamento interno de nossos aspectos mais sombrios.

Essa postura orgulhosa instiga nossos comportamentos reativos, pois o que reprimimos das nossas sombras projetamos no outro, culpabilizando-o.

A projeção acaba sendo o efeito de nossa relutância em dar luz ao que temos de obscuro em nossa psique. Reagimos ao outro, aos acontecimentos da vida e, assim, contra nós mesmos.

Essa atitude em muito agrada a culpa, desejosa de nos ver impotentes e vazios do que somos.

As contrariedades que são o grande resultado dessa equação pressionam sem pudor o complexo de poder, já que ele não tolera a frustração e a recusa de reconhecimento e amor. É desejoso da satisfação imediata, portanto vítima das conquistas e dos apegos.

Como apreciar e aceitar a vida carregando nas costas o peso da condenação eterna? O prazer torna-se inexistente diante da visão julgadora e limitadora da falha, e não do erro. Ficamos diante de um ciclo de desespero e desesperança que acaba com a clareza de visão a nosso respeito, bem como das situações que vamos encontrando pela existência material.

Deixamos de lado a sombra e ela sutilmente impõe sua natureza obscura as nossas escolhas e aos nossos comportamentos. Somos dominados por ela sabotando nossas realizações.

Sempre que rejeitamos e projetamos nossos impulsos, sentimentos e qualidades, eles naturalmente aparecem externamente assustando-nos, irritando, deprimindo ou transformando-se em obsessão. Estejamos atentos afinal o que mais nos perturba, frustra ou fascina nas outras pessoas nada mais são do que impulsos e qualidades da nossa própria sombra, percebidos como algo que não se origina em nós.

impulsoAprendamos: quando uma pessoa projeta algum tipo de impulso, sente a pressão vinda do exterior. A pressão depende da relação com o impulso projetado.

O material da sombra é a fonte das projeções, sejam negativas ou positivas.

Podemos também reagir a imagens opostas da sombra. Podemos ficar agitados, imobilizados, desorientados ou retraídos não só diante das partes que negamos em nós, mas igualmente na presença da sua imagem de espelho, ou opostos emocionais.

De uma forma ou de outra, o que nos cabe é aceitar e reconhecer as emoções da sombra, relaxando tanto a tensão quanto a resistência que as cercam. Tememos experimentar alguns de nossos sentimentos. Esse medo é que nos impede de estarmos presentes na vida.

A evolução como processo de ampliação da consciência e de integração da luz com a sombra, nos convida a recuperar as projeções, possibilitando nossa madureza como seres humanos, confiáveis e responsáveis por si mesmos.

Só enxergaremos uma escolha com consciência quando tomarmos consciência da inconsciência de nossos hábitos ou tendências anteriores. Caso contrário, continuaremos nos defendendo imaturamente da autoconsciência escondidos atrás da poderosa ação orgulhosa da culpa. Nossos vínculos continuarão pautados nas projeções, ignorando nossas emoções autênticas e nos condicionando a uma atitude reativa. Continuaremos carentes e vazios, desejosos do domínio e da posse do outro e não da conquista de si mesmo.